Trabalho Final |
Disciplina de Conteúdos e Metodologias do Ensino de História II
Semestre: 2014/2
Turma: PELAG B
Grupo: Diana Silveira,
Sineide Cândido Costa, Wagner Fortunato, Wilson dos Santos.
Item
1 – Relatório de pesquisa:
-
Dados da instituição:
-
Elementos referentes à História do museu.
Laguna
cidade turística fundada em 29 de junho de 1676 pelo bandeirante paulista
Domingos de Brito Peixoto é a terceira povoação mais antiga de Santa Catarina.
Possui em torno de 600
prédios, tombados pelo IPHAN¹, incluindo ele, o Museu Anita Garibald,
construído em 1735 em frente a uma praça, atualmente chamada de Praça República
Juliana. Ele é considerado a primeira edificação erguida para a fundação da
Vila de Laguna. Mais tarde, em 1747 passa a abrigar a Cadeia Pública no
primeiro piso, e no segundo atendia a Casa da Câmara. Em 1839 o prédio foi
palco da proclamação da República Juliana², quando os lagunenses aliaram-se a
Revolução Farroupilha.
O
prédio passou a ser museu em 1949, em homenagem ao centenário da morte da
heroína Anita pelo Centro Cultural Guimarães Cabral, conhecido desde então como
Museu Anita Garibaldi.
-
Como ele é mantido?
O
Museu Anita Garibaldi é mantido pelo IPHAN e pela Prefeitura Municipal de
Laguna.
-
Qual a tipologia do museu?
O
prédio histórico conserva a arquitetura e o mobiliário da época, com
característica bem proporcional (paredes e aberturas), apresenta textura lisa e
cores neutras que transmite paz e tranquilidade. Seu estilo Colonial apresenta
linhas horizontais, verticais, onduladas (janelas e portas) e irregulares
(escadas e telhados), contém colunas verticais formando uma composição
harmônica.
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¹Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
²Movimento
desencadeado pelos pecuaristas gaúchos descontentes com os impostos do império
sobre o charque, entre 1835 e 1845.
A
riqueza de detalhes observada na imagem permite concluir que a mesma foi
registrada próxima à edificação, onde a luz que aparece na parte superior
contrasta com a sombra da parte inferior. O estilo arquitetônico da época era
simples, a maioria das casas era construída de pau - a - pique e palha,
comprida e estreita sem decorações nas faixadas, o que dava um aspecto austero,
eram também escuras por dentro e germinadas umas nas outras. Em se tratando do
museu, que na época tinha um objetivo político/social, foi construído dentro de
um ‘modelo maior’, justamente para abrigar as exigências a que fora construído,
porém, seguiu o modelo da maioria das casas da vila, o Luso- brasileiro³.
-
Quais as características do acervo?
O
Museu Anita Garibaldi possui um vasto e rico acervo histórico, bem eclético,
que revelam períodos históricos importantes tanto da cidade (vila antigamente)
como também fatos do Estado Catarinense e sul do país. São peças de armamentos
de guerra estrangeiros, maioria europeia, utilizadas nas revoluções do Sul e
mais precisamente Laguna. Possui utensílios indígenas, bem como
registros/documentos alemães a respeito do descobrimento do estado e o primeiro
contato com os índios locais, peças pertencentes aos Sambaquis da região,
pratarias de fina porcelana trazidas pelas primeiras famílias europeias,
faqueiros de prata, peças religiosas, o que demonstra uma cultura religiosa católica
bem influente, utensílios de cozinha e sala, móveis da Câmara e também alguns
documentos referentes à mesma, moedas que circulam na época, muitas do tempo do
Império, botes e louças de barro, instrumentos musicais das pessoas ilustres da
região, obras de arte inspirada em personalidades e em heróis da época, como as
do pintor Willy Zumblick (pintor famoso natural da cidade de Tubarão, próxima a
Laguna), peças de tortura e aplicação de castigos desumanos que relatam o
período escravocrata da região, armas indígenas e utensílios usados em rituais
religiosos por eles entre ferramentas muito rudimentares.
Relógios,
máquinas de escrever, inclusive as primeiras que chegaram à localidade se encontram
lá, baús de ferro e madeira, peças dos primeiros navios que aportaram na vila,
e algumas roupas e moldes de sapatos. Encontramos ainda uma máquina de escrita Braille,
do século XIX, entre outros elementos que retratam a saga do casal historicamente
mais conhecido da Laguna, Giuseppe e Anita.
-
Tem setor educativo? Neste caso atende as escolas da cidade? Com se organiza
estas visitações? Qual o fluxo habitual de visitantes?
O
museu lagunense apresenta por si só um ambiente rico em matéria de informação,
e por esse caminho permite interação, diálogo com o tempo, educa
historicamente, socialmente e culturalmente.
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³Edificações austeras, sem
decorações, marcadas pelas cimalhas nos beirais. O conjunto de casas forma um
corredor contínuo, seguindo a formação da rua. Os telhados são visíveis com
cobertura em telha cerâmica, na sua maioria em duas águas, as paredes caiadas,
salientadas pela coloração (verde/azul/ocre/vinho) das janelas em guilhotina e
portas ao nível da rua.
Mesmo
sendo aberto ao público, infelizmente as visitas escolares são poucas segundo
entrevista com os funcionários do museu, ás vezes, aparecem mais visitas de
alunos, outras, quase nenhuma.
Conforme
o interesse da escola em visitação, as mesmas poderão ser agendadas, ainda,
segundo informações obtidas no local, é comum mais visitações de escolas de
outras cidades do que visitas de escolas da própria cidade. Esse
‘comportamento’ local em relação ao museu nos coloca a frente de uma reflexão,
em como e de que forma esse desinteresse por nossa história local/regional
poderá mudar mediante práticas educacionais que visem o estímulo a curiosidade,
o gosto e interesse pela história de nosso povo, origens e culturas tão
decisivas para a construção de nossas identidades e costumes.
- Realiza exposições temporárias?
As
exposições das obras do Museu Anita Garibaldi nunca saem do estabelecimento por
motivos de segurança principalmente, considerando o valor histórico
incalculável, não existe uma rotina de exposição externa senão a interna, que
ocorre sempre por meio das visitações abertas ao público.
As
Imagens:
Figura
1: Artefatos oriundos da primeira Guerra Mundial.

Figura 2: Pelourinho – Madeiro para os
desumanos castigos aplicados aos negros escravos que se ‘rebelavam’

Figura 3: Artefatos utilizados na primeira
Guerra Mundial.

Figura 4: Placa
simbolizando a Proclamação da República Catarinense.

item
2 – Texto dissertativo:
Tema: Museu Anita Garibaldi
Laguna: Historicamente
possível.
Em virtude da ausência de hábitos os quais nossas
crianças, jovens e porque não dizer, adultos também, apresenta em relação à
visitações/estudos aos importantes espaços históricos como o museu da cidade,
por exemplo, é que surge a preocupação com o futuro sociocultural, histórico e
memorial de nosso povo. Como irá se formar os pensamentos e conceitos
referentes a própria identidade e história de nossas crianças em suas mentes se
elas nunca ou quase nada se ‘confrontam’ com os fatos que formaram e continuam
formando sociedade, ideias, grupos sociais distintos e preservação de culturas,
sendo esses mesmos fatos os responsáveis muitas vezes por explicar as
realidades atuais.
Ainda, o ensino de história em muitas instituições não
permite que o aluno perceba que a
história de seu país ou localidade é resultado de múltiplas memórias originadas
na diversidade das experiências humanas (NONNENMACHER et al., 2012, p. 71), ou seja, além da falta de incentivo por
intermédio de atividades puramente teóricas e tradicionalizadas, a escola
quando ensina, mostra apenas “um lado da moeda”, que no caso é, aquela velha
história imposta nos livros didáticos nos quais exaltam apenas os ditos heróis
responsáveis unicamente pela nação brasileira, língua, cultura e tantos outros
aspectos. Em outras palavras, a verdadeira ‘história da civilização’ nem sempre
condiz com as realidades a que vivemos e vimos, além de se apresentam muitas
vezes em caráter mais político do que histórico propriamente.
Dessa forma, a criança continua a conceber história como
disciplina pouca atrativa, a qual para ela não desperta interesse por pesquisa
ou novidade alguma, pois já tem texto demais para decorar. O ideal é fazer com
que o aluno amplie seus conhecimentos, através de saídas de campo, a pesquisas
dentro e fora da escola, a idas a lugares turísticos da cidade os quais
registrem a história da cidade, origem da povoação local, e que de certa forma,
faça reconhecer a diversidade cultural presente em nossa cidade, como ela se
iniciou, através de quem, e como ela é concebida por nós cotidianamente.
A
atividade:
Proposta
elaborada para as turmas do 5º ano do Ensino Fundamental: (podendo ser aplicada em outros
anos, a indicação acima é apenas uma sugestão)
Primeiro
momento:
Levar
os alunos para conhecer o museu da cidade a fim de despertar nos alunos um
senso crítico e reflexivo, desconstruindo a ideia ‘pronta’ de passado e sim
interligá-lo com o presente através de pesquisas, leituras, entre outras
possibilidades de estudo que serão realizadas pelos alunos e professor da
turma.
Diante
de tanta diversidade de obras/utensílios/artefatos presentes no museu, os
alunos terão a oportunidade de visualizar, analisar, refletir acerca desses
objetos e a representação cultural de diversos povos e seus respectivos
costumes, crenças que até hoje se faz presente em nossos dias, seja através da
música, culinária, língua, fé, entre outras tradições.
O
objetivo dessa atividade é transcorrer sobre a história da cidade e suas
variadas manifestações culturais, de como essas relações culturais se cruzaram
ao longo dos anos, como foi essa relação, se houve harmonia, conflitos e qual
papel decisivo desenvolveu cada uma dessas culturas em relação ao crescimento da
cidade em diferentes aspectos. Os discentes irão registrar suas primeiras
impressões sobre o passeio ao museu através de anotações, fotos ou filmagens.
Os pais dos alunos poderão participar dessa atividade/passeio, sendo que o tema
diversidade cultural abrange também a família e comunidade.
Segundo
momento:
Durante
a visitação ao Museu Anita Garibaldi na primeira etapa da atividade, os alunos
se depararam com variados elementos culturais que determinaram um período
histórico da localidade como também em todo o país, como foi o caso do período
escravocrata em nosso país. Em outros momentos, o museu retrata os momentos de
glória e rotina das famílias tradicionais locais da época, costumes e
religiosidade desde as famílias mais modestas até as mais ilustres.
Mediante
a essa primeira impressão e análise feita pelos alunos, pessoas da comunidade e
professor, durante a saída de campo, o professor irá promover uma dinâmica em
sala em forma de debate, levantando as questões observadas no museu pelos
alunos e quais opiniões eles ‘formaram’ sobre o ambiente visitado.
Depois
desse momento de diálogo, o professor irá orientar os alunos para outra saída
de campo no propósito de levar os alunos para uma entrevista com moradores das
proximidades do museu, ou redondezas, no propósito de obter através dessas
pessoas mais informações a respeito das diferentes culturas que juntas
culminaram na formação ‘da nossa’ cultural geral. Para isso, é interessante que
os alunos entrevistem as pessoas ‘mais antigas’ da região, perguntando como era
tratada a identidade indígena na região, a negra; qual a opinião das pessoas da
comunidade a respeito da escravidão, e hoje, com essas identidades tão
marcantes em nosso contexto social são vistas pelas pessoas comparada a
presença dos povos europeus, açorianos e suas descendências.
As
questões para a entrevista serão orientadas pelo professor bem como a
entrevista; entretanto, na intenção de enriquecer o conteúdo da pesquisa acerca
da diversidade cultural lagunense, os familiares dos alunos e amigos poderão
auxiliá-los nessa entrevista/pesquisa, tanto no momento em que os alunos forem
para a saída de campo como em outros momentos em que aluno/família tiverem
disponibilidade para realizar a pesquisa de campo.
O
objetivo dessa atividade vai além de conhecer a história das culturas locais e
os desdobramentos dessas no decorrer dos tempos, consiste em fazer as crianças
reconhecerem as diferenças culturais como a principal característica de nossa
sociedade brasileira, visto que subtrair uma dessas diferenças, é o mesmo que
contar nossa história pela metade.
Ainda, considerando que a falta de informação é a nascente
que dá vida ao preconceito, intolerância, eurocentrismo, etnocentrismo e tantos
outros “ismos” que assolam a nossa sociedade durante anos, destacamos aqui a
importância da pesquisa, do professor pesquisador e que incentiva seus alunos a
pesquisarem sobre os tantos assuntos que rondam suas mentes e que também fazem
parte do dia-a-dia deles, numa forma de elencar suas realidades e anseios sociais
para dentro dos conteúdos escolares. Mostrar aos alunos a diversidade cultural
de nosso país é uma forma de derrubar o primeiro desafio – o pré-conceito.
REFERÊNCIAS:
GUIA TURÍSTICO: Encantos
do Sul. 2ª ed. Santa Catarina: Letras brasileiras. 87p.
NONNENMACHER, Marilange et al., Conteúdos e
metodologias do ensino de história I –Florianópolis: DIOESC:
UDESC/CEAD/UAB, 2012.
PEREIRA. Jean Carlos
Cerqueira. O ENSINO DE HISTÓRIA NAS
SÉRIES INICIAIS. Disponível em: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/acer_histedbr/jornada/jornada10/_files/VOvTHqqQ.pdf>.
Acesso em 02 out. 2014.
REVISTA SABER: História. Conhecimento & Educação. Laguna.
2011.18p
TRIDAPALLI. Ana Laura et al., Conteúdos
e metodologia do ensino de história II. – 1ª ed.– Florianópolis: DIOESC:
UDESC/CEAD/UAB, 2013.
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