domingo, 12 de outubro de 2014

Trabalho Final de Conteúdos e metodologia do Ensino de História







Trabalho Final

Disciplina de Conteúdos e Metodologias do Ensino de História II

Semestre: 2014/2

Turma: PELAG B

Grupo: Diana Silveira, Sineide Cândido Costa, Wagner Fortunato, Wilson dos Santos.

Item 1 – Relatório de pesquisa:

- Dados da instituição:
- Elementos referentes à História do museu.

Laguna cidade turística fundada em 29 de junho de 1676 pelo bandeirante paulista Domingos de Brito Peixoto é a terceira povoação mais antiga de Santa Catarina. Possui em torno de 600            prédios, tombados pelo IPHAN¹, incluindo ele, o Museu Anita Garibald, construído em 1735 em frente a uma praça, atualmente chamada de Praça República Juliana. Ele é considerado a primeira edificação erguida para a fundação da Vila de Laguna. Mais tarde, em 1747 passa a abrigar a Cadeia Pública no primeiro piso, e no segundo atendia a Casa da Câmara. Em 1839 o prédio foi palco da proclamação da República Juliana², quando os lagunenses aliaram-se a Revolução Farroupilha.
O prédio passou a ser museu em 1949, em homenagem ao centenário da morte da heroína Anita pelo Centro Cultural Guimarães Cabral, conhecido desde então como Museu Anita Garibaldi.

- Como ele é mantido?

O Museu Anita Garibaldi é mantido pelo IPHAN e pela Prefeitura Municipal de Laguna.

- Qual a tipologia do museu?

O prédio histórico conserva a arquitetura e o mobiliário da época, com característica bem proporcional (paredes e aberturas), apresenta textura lisa e cores neutras que transmite paz e tranquilidade. Seu estilo Colonial apresenta linhas horizontais, verticais, onduladas (janelas e portas) e irregulares (escadas e telhados), contém colunas verticais formando uma composição harmônica.

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¹Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
²Movimento desencadeado pelos pecuaristas gaúchos descontentes com os impostos do império sobre o charque,      entre 1835 e 1845.
A riqueza de detalhes observada na imagem permite concluir que a mesma foi registrada próxima à edificação, onde a luz que aparece na parte superior contrasta com a sombra da parte inferior. O estilo arquitetônico da época era simples, a maioria das casas era construída de pau - a - pique e palha, comprida e estreita sem decorações nas faixadas, o que dava um aspecto austero, eram também escuras por dentro e germinadas umas nas outras. Em se tratando do museu, que na época tinha um objetivo político/social, foi construído dentro de um ‘modelo maior’, justamente para abrigar as exigências a que fora construído, porém, seguiu o modelo da maioria das casas da vila, o Luso- brasileiro³.


- Quais as características do acervo?

O Museu Anita Garibaldi possui um vasto e rico acervo histórico, bem eclético, que revelam períodos históricos importantes tanto da cidade (vila antigamente) como também fatos do Estado Catarinense e sul do país. São peças de armamentos de guerra estrangeiros, maioria europeia, utilizadas nas revoluções do Sul e mais precisamente Laguna. Possui utensílios indígenas, bem como registros/documentos alemães a respeito do descobrimento do estado e o primeiro contato com os índios locais, peças pertencentes aos Sambaquis da região, pratarias de fina porcelana trazidas pelas primeiras famílias europeias, faqueiros de prata, peças religiosas, o que demonstra uma cultura religiosa católica bem influente, utensílios de cozinha e sala, móveis da Câmara e também alguns documentos referentes à mesma, moedas que circulam na época, muitas do tempo do Império, botes e louças de barro, instrumentos musicais das pessoas ilustres da região, obras de arte inspirada em personalidades e em heróis da época, como as do pintor Willy Zumblick (pintor famoso natural da cidade de Tubarão, próxima a Laguna), peças de tortura e aplicação de castigos desumanos que relatam o período escravocrata da região, armas indígenas e utensílios usados em rituais religiosos por eles entre ferramentas muito rudimentares.
Relógios, máquinas de escrever, inclusive as primeiras que chegaram à localidade se encontram lá, baús de ferro e madeira, peças dos primeiros navios que aportaram na vila, e algumas roupas e moldes de sapatos. Encontramos ainda uma máquina de escrita Braille, do século XIX, entre outros elementos que retratam a saga do casal historicamente mais conhecido da Laguna, Giuseppe e Anita.


- Tem setor educativo? Neste caso atende as escolas da cidade? Com se organiza estas visitações? Qual o fluxo habitual de visitantes?

O museu lagunense apresenta por si só um ambiente rico em matéria de informação, e por esse caminho permite interação, diálogo com o tempo, educa historicamente, socialmente e culturalmente.




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³Edificações austeras, sem decorações, marcadas pelas cimalhas nos beirais. O conjunto de casas forma um corredor contínuo, seguindo a formação da rua. Os telhados são visíveis com cobertura em telha cerâmica, na sua maioria em duas águas, as paredes caiadas, salientadas pela coloração (verde/azul/ocre/vinho) das janelas em guilhotina e portas ao nível da rua.


Mesmo sendo aberto ao público, infelizmente as visitas escolares são poucas segundo entrevista com os funcionários do museu, ás vezes, aparecem mais visitas de alunos, outras, quase nenhuma.
Conforme o interesse da escola em visitação, as mesmas poderão ser agendadas, ainda, segundo informações obtidas no local, é comum mais visitações de escolas de outras cidades do que visitas de escolas da própria cidade. Esse ‘comportamento’ local em relação ao museu nos coloca a frente de uma reflexão, em como e de que forma esse desinteresse por nossa história local/regional poderá mudar mediante práticas educacionais que visem o estímulo a curiosidade, o gosto e interesse pela história de nosso povo, origens e culturas tão decisivas para a construção de nossas identidades e costumes.


 - Realiza exposições temporárias?

As exposições das obras do Museu Anita Garibaldi nunca saem do estabelecimento por motivos de segurança principalmente, considerando o valor histórico incalculável, não existe uma rotina de exposição externa senão a interna, que ocorre sempre por meio das visitações abertas ao público.


As Imagens:

Figura 1: Artefatos oriundos da primeira Guerra Mundial.


     






 Figura 2: Pelourinho – Madeiro para os desumanos castigos aplicados aos negros escravos que se ‘rebelavam’



       Figura 3: Artefatos utilizados na primeira Guerra Mundial.


Figura 4: Placa simbolizando a Proclamação da República Catarinense.


item 2 – Texto dissertativo:
 Tema: Museu Anita Garibaldi




Laguna: Historicamente possível.


Em virtude da ausência de hábitos os quais nossas crianças, jovens e porque não dizer, adultos também, apresenta em relação à visitações/estudos aos importantes espaços históricos como o museu da cidade, por exemplo, é que surge a preocupação com o futuro sociocultural, histórico e memorial de nosso povo. Como irá se formar os pensamentos e conceitos referentes a própria identidade e história de nossas crianças em suas mentes se elas nunca ou quase nada se ‘confrontam’ com os fatos que formaram e continuam formando sociedade, ideias, grupos sociais distintos e preservação de culturas, sendo esses mesmos fatos os responsáveis muitas vezes por explicar as realidades atuais.
Ainda, o ensino de história em muitas instituições não permite que o aluno perceba que  a história de seu país ou localidade é resultado de múltiplas memórias originadas na diversidade das experiências humanas (NONNENMACHER et al., 2012, p. 71), ou seja, além da falta de incentivo por intermédio de atividades puramente teóricas e tradicionalizadas, a escola quando ensina, mostra apenas “um lado da moeda”, que no caso é, aquela velha história imposta nos livros didáticos nos quais exaltam apenas os ditos heróis responsáveis unicamente pela nação brasileira, língua, cultura e tantos outros aspectos. Em outras palavras, a verdadeira ‘história da civilização’ nem sempre condiz com as realidades a que vivemos e vimos, além de se apresentam muitas vezes em caráter mais político do que histórico propriamente.
Dessa forma, a criança continua a conceber história como disciplina pouca atrativa, a qual para ela não desperta interesse por pesquisa ou novidade alguma, pois já tem texto demais para decorar. O ideal é fazer com que o aluno amplie seus conhecimentos, através de saídas de campo, a pesquisas dentro e fora da escola, a idas a lugares turísticos da cidade os quais registrem a história da cidade, origem da povoação local, e que de certa forma, faça reconhecer a diversidade cultural presente em nossa cidade, como ela se iniciou, através de quem, e como ela é concebida por nós cotidianamente.

A atividade:
Proposta elaborada para as turmas do 5º ano do Ensino Fundamental: (podendo ser aplicada em outros anos, a indicação acima é apenas uma sugestão)

Primeiro momento:
Levar os alunos para conhecer o museu da cidade a fim de despertar nos alunos um senso crítico e reflexivo, desconstruindo a ideia ‘pronta’ de passado e sim interligá-lo com o presente através de pesquisas, leituras, entre outras possibilidades de estudo que serão realizadas pelos alunos e professor da turma.
Diante de tanta diversidade de obras/utensílios/artefatos presentes no museu, os alunos terão a oportunidade de visualizar, analisar, refletir acerca desses objetos e a representação cultural de diversos povos e seus respectivos costumes, crenças que até hoje se faz presente em nossos dias, seja através da música, culinária, língua, fé, entre outras tradições.
O objetivo dessa atividade é transcorrer sobre a história da cidade e suas variadas manifestações culturais, de como essas relações culturais se cruzaram ao longo dos anos, como foi essa relação, se houve harmonia, conflitos e qual papel decisivo desenvolveu cada uma dessas culturas em relação ao crescimento da cidade em diferentes aspectos. Os discentes irão registrar suas primeiras impressões sobre o passeio ao museu através de anotações, fotos ou filmagens. Os pais dos alunos poderão participar dessa atividade/passeio, sendo que o tema diversidade cultural abrange também a família e comunidade.


Segundo momento:

Durante a visitação ao Museu Anita Garibaldi na primeira etapa da atividade, os alunos se depararam com variados elementos culturais que determinaram um período histórico da localidade como também em todo o país, como foi o caso do período escravocrata em nosso país. Em outros momentos, o museu retrata os momentos de glória e rotina das famílias tradicionais locais da época, costumes e religiosidade desde as famílias mais modestas até as mais ilustres.
Mediante a essa primeira impressão e análise feita pelos alunos, pessoas da comunidade e professor, durante a saída de campo, o professor irá promover uma dinâmica em sala em forma de debate, levantando as questões observadas no museu pelos alunos e quais opiniões eles ‘formaram’ sobre o ambiente visitado.
Depois desse momento de diálogo, o professor irá orientar os alunos para outra saída de campo no propósito de levar os alunos para uma entrevista com moradores das proximidades do museu, ou redondezas, no propósito de obter através dessas pessoas mais informações a respeito das diferentes culturas que juntas culminaram na formação ‘da nossa’ cultural geral. Para isso, é interessante que os alunos entrevistem as pessoas ‘mais antigas’ da região, perguntando como era tratada a identidade indígena na região, a negra; qual a opinião das pessoas da comunidade a respeito da escravidão, e hoje, com essas identidades tão marcantes em nosso contexto social são vistas pelas pessoas comparada a presença dos povos europeus, açorianos e suas descendências.
As questões para a entrevista serão orientadas pelo professor bem como a entrevista; entretanto, na intenção de enriquecer o conteúdo da pesquisa acerca da diversidade cultural lagunense, os familiares dos alunos e amigos poderão auxiliá-los nessa entrevista/pesquisa, tanto no momento em que os alunos forem para a saída de campo como em outros momentos em que aluno/família tiverem disponibilidade para realizar a pesquisa de campo.
O objetivo dessa atividade vai além de conhecer a história das culturas locais e os desdobramentos dessas no decorrer dos tempos, consiste em fazer as crianças reconhecerem as diferenças culturais como a principal característica de nossa sociedade brasileira, visto que subtrair uma dessas diferenças, é o mesmo que contar nossa história pela metade.
Ainda, considerando que a falta de informação é a nascente que dá vida ao preconceito, intolerância, eurocentrismo, etnocentrismo e tantos outros “ismos” que assolam a nossa sociedade durante anos, destacamos aqui a importância da pesquisa, do professor pesquisador e que incentiva seus alunos a pesquisarem sobre os tantos assuntos que rondam suas mentes e que também fazem parte do dia-a-dia deles, numa forma de elencar suas realidades e anseios sociais para dentro dos conteúdos escolares. Mostrar aos alunos a diversidade cultural de nosso país é uma forma de derrubar o primeiro desafio – o pré-conceito.





REFERÊNCIAS:


GUIA TURÍSTICO: Encantos do Sul. 2ª ed. Santa Catarina: Letras brasileiras. 87p.

NONNENMACHER, Marilange et al., Conteúdos e metodologias do ensino de história I –Florianópolis: DIOESC: UDESC/CEAD/UAB, 2012.


PEREIRA. Jean Carlos Cerqueira. O ENSINO DE HISTÓRIA NAS SÉRIES INICIAIS. Disponível em: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/acer_histedbr/jornada/jornada10/_files/VOvTHqqQ.pdf>. Acesso em 02 out. 2014.


REVISTA SABER: História. Conhecimento & Educação. Laguna. 2011.18p


TRIDAPALLI. Ana Laura et al., Conteúdos e metodologia do ensino de história II. – 1ª ed.– Florianópolis: DIOESC: UDESC/CEAD/UAB, 2013.



                                    



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